E o Futebol Feminino?



Fala galera apaixonada pelo futebol! Tudo bem? 

Com a pausa do Cartola em virtude da Copa América, vamos aproveitar a oportunidade para falar de um assunto bem oportuno para o momento: Futebol feminino! 

"E qual ééé? Qual ééé? futebol não é pra mulher!! Eu vou mostrar pra você mané, joga a bola no meu pé!" (Música “Jogadeira”, escrita em 2011 pelas jogadoras Cacau, do Corínthians e da ex jogadora Gabi Kivitz, que viralizou nesta Copa do Mundo de 2019). Além de ter viralizado neste ano, a música virou motivação para outras atletas e até as jogadoras da Seleção Brasileira passaram a receber vídeos de crianças do Brasil inteiro. Legal, né?

Você sabia que as mulheres passaram 40 anos proibidas, por lei, de jogar futebol no Brasil? 

Não somente o futebol mas também outros esportes que exigiam na época força, onde alegavam irem contra a “natureza feminina”. O parágrafo da Lei dizia que: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país” (Decreto-lei 3.199 de 14 de abril de 1941). 

Este artigo teve vigência até 1983 e foi criado durante a era do Getúlio Vargas. Após 4 décadas a regulamentação do futebol feminino veio em 1983. E sabe por que? Porque houve luta das jogadoras e também relevância econômica internacional. Não é a toa que essa proibição trouxe reflexos negativos que se prevalecem até os dias de hoje, como por exemplo, o baixo incentivo ao futebol feminino e falta de patrocinadores.

A copa do mundo de futebol feminino de 2019 é um marco e tanto, principalmente para as jogadoras da seleção Brasileira, a qual tem seus jogos transmitidos pela Rede Globo.

A trajetória do futebol feminino marcada por barreiras, preconceitos, desigualdade, descaso, amadorismo, vitórias e derrotas, estão na exposição “Contra-Ataque! As mulheres do Futebol”, exibida no Museu do Futebol, em São Paulo, e que é patrocinada pela Instituição Financeira Banco Itaú. Que avanço, não? 


Embora seja um avanço tudo isso, considerando o que tínhamos em décadas passadas (proibição do esporte na modalidade feminina), não podemos deixar de falar novamente da desigualdade que ainda existe. 

Por exemplo, em abril a revista France Football divulgou o ranking das 5 jogadoras de futebol mais bem pagas do mundo. E adivinha? Marta ocupa exatamente a 5ª posição, com salário anual de 1,45 milhão. E sabe o que isso significa? Significa que podemos comparar o salário da jogadora que foi premiada por 6x a melhor jogadora DO MUNDO ao salário do jogador Borja, do Palmeiras, porém com uma “pequena” diferença: Esse é o ganho dele em 3 meses de futebol. Isso mesmo! E repito: O ganho anual da jogadora Marta equivale a 3 meses de trabalho do jogador Borja, no Palmeiras. Ainda que eu tenha escolhido guardar as piadas que me vieram a cabeça, por questões éticas e de independência, é um tanto quanto esdrúxula e absurda essa comparação. Como comparar a qualidade de uma jogadora eleita a melhor jogadora de todos os tempos com a do Colombiano, que nem os próprios torcedores do Palmeiras o querem em campo?

E se compararmos os prêmios da Marta com os prêmios do eleito 5x o melhor do mundo, vulgo Lionel Messi? Também não é possível a comparação. A revista chegou a publicar também que o jogador chega a faturar 130 milhões de EUROS por ano, ou seja, mais de R$563 milhões. Nem a Marta dobrando os anos de carreira não chegaria a este montante. 

Na minha percepção, talvez não seja o mais adequado existir essa comparação exatamente pelo tempo que existe de cada futebol (Masculino e Feminino). Inclusive, para mim é indiferente a comparação de salários. O que é diferente é avaliar a ascensão do futebol feminino, até que possamos pensar na igualdade.

Vemos que o futebol feminino está começando a crescer. Hoje consigo visualizar que o futebol feminino está começando a ganhar a visibilidade como um “negócio”. 


Em Março deste ano a Nike fechou com o futebol feminino da UEFA, se tornando responsável por bola da liga dos Campeões e também da Liga Europa. Lembrando que em Dezembro de 2018 foi o momento da VISA, sendo a primeira empresa a fechar com a UEFA depois da separação dos direitos entre futebol masculino e feminino. Isso foi bem visto pela própria Diretora da área de futebol feminino da UEFA que demonstrou satisfação com essa parceria, bem como acredita que a empresa está dedicada com a igualdade no desporto. 

Sabemos que não é somente isso. A entidade quer se comprometer e está com a ambição de levar ao mundo a visibilidade do grande potencial que existe no futebol feminino, por outro lado, existe o empenho da Nike também para voltar a ganhar espaço nas competições da Europa, por questões de concorrência, já que o futebol europeu possui até então, total domínio pela Adidas.

E antes de concluir, aproveito este momento, inclusive, para falarmos de uma cena emocionante que assisti nesse Domingo (16/06): O gol de honra que a Tailândia fez contra a Suécia, mesmo sofrendo a derrota. Já se passava dos 45 minutos do segundo tempo, já nem havia mais esperança de um golzinho sequer, quando de repente, a jogadora Sung-Ngoen surpreendeu o público marcando um lindo gol. Nem ela imaginava a emoção que traria para o estádio inteiro e até mesmo a diretora de futebol do País não conseguiu conter as lágrimas. Que emoção! Que jogo! E futebol feminino é isso: É garra, é lutar até o último minuto, até quanto nem mesmo há esperanças, mas vale a pena mostrar os motivos que cada uma foi a campo. 

Concluo essa publicação agradecendo a Carol, pelo convite e oportunidade para escrever e contribuir positivamente para esse excelente site. 

Ao meu grande amigo Alex Maia, que tanto me apoia e incentiva. 
Ao Mauro Marquez Cristófano, que está comigo nessa caminhada futebolística, aos meus amigos do “Grupo dos 14”, a minha amiga Ingrid Guimarães por compartilharmos diversos assuntos do mundo futebolístico (masculino e feminino) e ao meu namorado Luiz, por não desistir de mim, mesmo cansando de ouvir que o Palmeiras não tem mundial! 

Valeu galera, um abraço a todos e até a próxima! =)
E o Futebol Feminino? E o Futebol Feminino? Reviewed by Danizoca on segunda-feira, junho 17, 2019 Rating: 5

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